Reportagem · Estilo Pessoal

Mariana Goldfarb: 'Luxo para mim é ser quem sou' | Entrevista

Mariana Goldfarb desafia a definição convencional de luxo em entrevista exclusiva. Para a influenciadora e modelo, o verdadeiro luxo não está em marcas ou posses, mas na liberdade de ser autêntica.

por Bruno Tagliaferro Fotos · Acervo Trend Tips 26 de junho de 2026
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Mariana Goldfarb: A Redefinição Pessoal do Luxo

Mariana Goldfarb, modelo e influenciadora digital brasileira, provoca uma reflexão incômoda sobre o que de fato constitui luxo na contemporaneidade. Em declaração direta, ela resume sua filosofia: "luxo para mim é ser quem sou". A frase não é slogan vazio. Ela carrega uma posição que contrasta com décadas de narrativas que associam status à posse de objetos caros.

O Que Mariana Goldfarb Entende por Luxo

Quando Goldfarb faz essa afirmação, ela não nega a existência de bens materiais ou sua apreciação estética. O que ela questiona é a prioridade. A autenticidade pessoal, segundo sua perspectiva, é um bem raro em sociedades que recompensam conformidade. A liberdade de expressão, de escolha, de não precisar fingir para agradar expectativas alheias, isso sim seria o luxo tangível.

Essa posição ganha peso quando considerada dentro da trajetória de Goldfarb. Como figura pública desde jovem, ela vivenciou a pressão de moldagem de imagem que acompanha o trabalho de modelo e influenciadora. A declaração não é filosófica abstrata, mas reflexo de experiência concreta.

Autenticidade como Ativo em Economia Digital

Na economia de influência, a autenticidade é moeda rara e valiosa. Plataformas como Instagram e TikTok multiplicaram o número de pessoas performando versões idealizadas de si mesmas. Nesse contexto, alguém que se recusa a fazer isso, que mantém coerência entre discurso público e vida privada, acumula capital social específico.

Goldfarb construiu carreira em parte por essa recusa. Seus posicionamentos sobre corpo, saúde mental e relacionamentos frequentemente destoam do tom aspiracional típico do segmento. Não é raro ela abordar temas incômodos sem filtro, o que gera tanto admiração quanto crítica entre seus seguidores.

O Contraste com Narrativas de Consumo Luxury

A indústria de luxo tradicional opera sobre escassez percebida. Bolsas de seis dígitos, relógios suíços, joias de herança, esses itens derivam valor de exclusividade e prestígio histórico. A narrativa que os acompanha promete transformação social: possuir X elevará seu status, atrairá admiração, confirmará seu sucesso.

A tese de Goldfarb inverte essa lógica. Ela sugere que a verdadeira elevação vem de dentro para fora, não de fora para dentro. Nenhuma bolsa de grife confere o que ela nomeia como luxo: a paz de ser coerente consigo mesmo.

Isso não significa que ela rejeita bens materiais. Significa que ela recusa a equação que os coloca como fundamento de satisfação pessoal. É uma distinção sutil, mas operacionalmente importante.

Influência de Gerações e Mudança de Valores

A geração que Goldfarb representa, nascida nos anos 1990, adulta durante o boom das redes sociais, vivenciou o colapso de várias promessas do consumismo tradicional. A crise econômica de 2008, a precarização do trabalho, o surgimento de crises climáticas: tudo isso alimentou ceticismo em relação ao modelo de acumulação.

Nesse contexto, valores como sustentabilidade, saúde mental e autenticidade ganharam espaço. Não como moda passageira, mas como reação genuína a modelos que falharam em entregar bem-estar.

O Luxo Redefinido: Tempo, Liberdade e Escolha

Se luxo é ser quem se é, então ele se desdobra em três dimensões: tempo (liberdade de não estar constantemente produzindo imagem), liberdade (de fazer escolhas sem aprovação externa) e escolha (agência sobre própria vida).

Essas dimensões são, de fato, mais escassas que bolsas caras. A maioria das pessoas gasta horas em trabalho que não escolheu, em conformidade que não deseja, em performances que as esvaziam. Nesse cenário, o acesso a essas três coisas é genuinamente raro, logo, genuinamente luxuoso.

A Coerência como Prática

Manter coerência entre valores declarados e ações é trabalho contínuo. Goldfarb frequentemente enfrenta críticas por posições que contradizem expectativas sobre como uma influenciadora "deveria" agir. Ela não se desculpa por isso. Mantém a posição.

Essa recusa de ajuste é, em si, a manifestação prática do que ela nomeia como luxo. Não é rebeldia performática. É consistência real, que gera atrito, porque a autenticidade frequentemente gera.

Implicações para Consumo e Carreira

Se tomarmos Goldfarb ao pé da letra, sua filosofia teria implicações radicais: redução de consumo supérfluo, recusa de trabalhos que exigem falsidade, priorização de relacionamentos genuínos sobre status. Poucos conseguem implementar isso completamente.

Mas a declaração funciona como bússola. Ela oferece critério para decisões: isso me aproxima ou me afasta de ser quem sou? Essa pergunta simples corta ruído.

O Luxo como Privilégio

Há uma ressalva importante aqui. A liberdade de ser quem se é é, ela mesma, um privilégio. Pessoas em situações de vulnerabilidade econômica, social ou política frequentemente não têm margem para essa autenticidade. Ela é conquistada, em muitos casos, por quem já tem segurança material mínima.

Goldfarb, como figura pública bem-sucedida, opera de posição de relativa segurança. Sua declaração é válida, mas não universalizável mecanicamente. Ela funciona melhor como aspiração e como crítica ao consumismo excessivo do que como prescrição universal.

Perguntas Frequentes

Mariana Goldfarb rejeita consumo de marcas de luxo?

Não. Ela rejeita a ideia de que possuir marcas de luxo é o que define sucesso pessoal ou bem-estar. Há diferença entre apreciar qualidade estética e fazer disso o fundamento da identidade.

Essa visão é uma tendência passageira?

Possível, mas a ênfase em autenticidade e saúde mental parece estrutural em gerações mais jovens, não apenas moda. O consumismo tradicional perdeu apelo persuasivo para muita gente.

Como aplicar essa filosofia na prática?

Começando por perguntas simples: essa compra me aproxima de quem eu quero ser? Esse trabalho exige que eu seja falso? Esse relacionamento é genuíno? As respostas oferecem direção.

Mariana Goldfarb é coerente com seus próprios valores?

Em geral, sim. Ela mantém posições polêmicas mesmo quando geram rejeição, o que sugere autenticidade real. Mas ninguém é 100% coerente, ela mesma reconhece contradições.

Esse conceito de luxo funciona para pessoas comuns?

Funciona melhor como critério de decisão do que como descrição de realidade. A maioria das pessoas enfrenta constrangimentos econômicos que limitam escolhas. Mas dentro desses constrangimentos, a pergunta sobre autenticidade ainda oferece orientação.

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